Mais uma noite de domingo

sexta-feira, novembro 04, 2016


É mais uma noite de domingo solitária. E talvez eu apenas sinta sua falta.
É incrível como em pouco tempo alguém consegue causar um estrago enorme.
Um carinho enorme.  Um sentimento enorme.  É tudo excesso. A saudade. A dor. E o amor.
E eu não gosto de ser a pessoa romântica que sente falta de alguém.
Eu não preciso de alguém, além de mim mesma... Mas talvez eu realmente aprecie ter você ao meu lado.
E poder saber que você também faria minha noite de domingo solitária mais colorida.
Mas o arco-íris só tem azul e cinza.

E a minha mente reproduz conversas e momentos que eu gostaria de esquecer. Ou de apenas lembrar como algo bom e não como algo que eu desejaria repetir para sempre.
A playlist automática colocou em uma música que eu nunca ouvi, mas que me lembra uma cena clichê de filme.

Eu estaria sentada em algum bar de esquina que ninguém vai e uma banda impopular estaria tocando, mesmo que o gerente do bar tenha dito claramente que não queria eles lá. Um copo de alguma bebida forte e horrível estaria em minhas mãos e eu prestaria atenção no cartaz velho desbotando na parede de tintura manchada. Algo sobre um show de dez anos atrás. E quando eu olho para o barman, ele parece mais velho do que eu tinha percebido. Ele está apenas cansado de sua vida repetitiva e sem emoções. Ele trabalha naquele bar desde os vinte e poucos, acreditando que seria temporário e que logo viajaria pelo mundo. Mas parece que as coisas não saíram como ele esperava e agora sua vida se resume a dar bebidas para pessoas de corações partidos e a ouvir música de gosto duvidoso com bandas que nem são realmente ruins, mas que se vestem de forma nada legal e tem um nome pejorativo. E eu voltaria a pensar em você quando o refrão começa e o som do baixo fica mais alto que a bateria.

Eu lembraria dos olhos brilhando e dos sorrisos bobos. E das conversas durante a madrugada e do sentimento quente de sentir algo novo e incrível acontecendo. Eu bebo um gole da minha bebida horrível e a sensação dela queimando minha garganta e estimulando meu cérebro a ter alucinações de você faz com que eu me sinta melhor e pior. E eu posso sentir seus dedos em minha pele e sua boca tocando a minha.

Mas no final, a alucinação toda começou comigo sentada em minha cama, encarando a escuridão e a música clichê de sinto-sua-falta ainda está tocando. Passaram-se apenas cinco minutos e eu sinto como se tivesse viajado para uma outra realidade por horas.
E no final eu continuo presa em um domingo solitário.
Em que todas as emoções estão presentes.
Mas você não está presente.
Não mais.  

Escrito por: Bianca Ferreira 

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